Apagando a História

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De uma coisa eu sempre tive certeza: nunca apagaria a história do meu filho. Não mudaria seu nome, não esconderia sua história e não o encorajaria a sentir raiva de sua família de origem. Mas... Com o processo de adoção finalizado, tivemos que esperar o tempo do nosso filho para tirar um novo RG. Ele não entendia a alteração do seu sobrenome e sentia um desconforto enorme sobre isso. Não comemorou a nova certidão. Não quis ver o documento. Quando ele passou a compreender a modificação, lá fomos nós. Primeira tentativa — um ano após a nova certidão. Sem sucesso, porque o antigo CPF não havia sido cancelado e tivemos que solicitar ao fórum o cancelamento. Segunda tentativa — um ano após a primeira. O RG foi barrado, pois a Fazenda não estava permitindo a vinculação do documento ao novo CPF. Terceira tentativa: sucesso. Mas me deparei com uma situação que eu não esperava. O atendente me disse: “O RG dele ficará retido.” Confesso que me senti estranha. Como se eu estivesse negand...

Me senti um zero à esquerda no trabalho — e talvez você também já tenha se sentido assim

Zero à esquerda

Você já se sentiu um zero à esquerda? Daqueles dias em que parece que todo o seu esforço simplesmente não conta? Que só as mínimas falhas são levadas em consideração? Pois é. Hoje foi um desses dias para mim.

Estou na mesma empresa há oito anos. Oito. Anos. Me dedico, me reinvento, faço o melhor com o que me é dado, inclusive, enfrento minhas crises de ansiedade e questões pessoais intensas para fazer o que posso e não deixar ninguém do trabalho na mão ou sobrecarregado — e mesmo assim, cheguei a mais um ciclo de reajuste salarial me sentindo invisível.

Trabalho no setor de Recursos Humanos. Isso significa que eu tenho acesso aos salários de todos. E, por mais doloroso que seja dizer, há tempos percebo uma disparidade gritante entre o que faço e o quanto isso é valorizado. Já questionei, já me expus, já fui atrás de respostas. Mas a justificativa é sempre a mesma: “o trabalho do outro setor exige mais estudo”, “é mais técnico”, “é mais difícil”.

Difícil? Mais do que aquilo que eu fazia até o início deste ano, quando precisei parar parte das minhas funções para ensinar exatamente aquilo a eles? Difícil como lidar com gente, com crises emocionais, com conflitos interpessoais — tudo que o RH carrega e ninguém vê?

Hoje, mais uma vez, meu nome não estava na lista dos reconhecidos. E doeu. Doeu porque eu sei o quanto eu me esforço. Doeu porque eu sei o quanto eu entrego. Doeu porque eu me senti desrespeitada.

Falei com a minha chefe, sim. Me impus — dentro do que consegui. Mas no fundo, sei que nada vai mudar.

E é por isso que escrevo. Porque talvez você, mulher, que também equilibra pratinhos demais, que trabalha o dobro para ser vista metade, também já tenha se sentido assim. Desvalorizada. Ignorada. Menos.

Você não está sozinha.

Não é fraqueza se magoar. Não é drama se entristecer. Reconhecer que algo está errado é o primeiro passo para, quem sabe, traçar um novo caminho. Às vezes, a gente só precisa colocar pra fora.

Este blog é a minha forma de fazer isso. É meu grito silencioso, meu diário aberto, meu abraço estendido a outras mulheres que, como eu, tentam dar conta de tudo — e ainda assim, sentem que estão falhando.

Você não está falhando. O sistema é que falha com a gente todos os dias.

E mesmo que eu me sinta hoje um zero à esquerda, sei que esse sentimento não define quem eu sou. Nem a profissional que sou. Nem a mulher que sou.


Se você também se sente assim, comenta aqui embaixo ou me manda uma mensagem. Vamos fazer desse espaço uma rede de apoio real. Porque, juntas, a gente encontra força para renascer — mesmo em meio às cinzas.

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