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Apagando a História

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De uma coisa eu sempre tive certeza: nunca apagaria a história do meu filho. Não mudaria seu nome, não esconderia sua história e não o encorajaria a sentir raiva de sua família de origem. Mas... Com o processo de adoção finalizado, tivemos que esperar o tempo do nosso filho para tirar um novo RG. Ele não entendia a alteração do seu sobrenome e sentia um desconforto enorme sobre isso. Não comemorou a nova certidão. Não quis ver o documento. Quando ele passou a compreender a modificação, lá fomos nós. Primeira tentativa — um ano após a nova certidão. Sem sucesso, porque o antigo CPF não havia sido cancelado e tivemos que solicitar ao fórum o cancelamento. Segunda tentativa — um ano após a primeira. O RG foi barrado, pois a Fazenda não estava permitindo a vinculação do documento ao novo CPF. Terceira tentativa: sucesso. Mas me deparei com uma situação que eu não esperava. O atendente me disse: “O RG dele ficará retido.” Confesso que me senti estranha. Como se eu estivesse negand...

Entre a liberdade e a proteção: maternar quem já andou sozinho demais

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Meu filho gosta de ser livre. Gosta de andar, correr, explorar o mundo com as próprias pernas. E, de certa forma, esse desejo de liberdade me emociona. Mas a liberdade que ele conheceu na infância não era saudável — era perigosa. Era o tipo de liberdade que expunha, machucava, deixava marcas. Como já compartilhei em outros textos, me tornei mãe por adoção. Meu filho chegou à nossa vida com quase oito anos de idade. Um menino curioso, esperto, cheio de energia... e carregando uma história dura demais para alguém tão pequeno. Soube, meses depois da chegada dele, que aos quatro anos recém completos, ele já havia sido acolhido. E, antes disso — ou entre esses momentos —, ele atravessava a cidade sozinho . Sim, sozinho. Um serzinho inocente, indefeso, caminhando entre carros, ruas movimentadas, esquinas desconhecidas... exposto a perigos que nenhuma criança deveria enfrentar. Essa informação me paralisou. Fiquei em choque. Porque, naquele instante, tudo fez ainda mais sentido: o gosto pe...

Adotar uma criança maior: os primeiros momentos que a vida oferece

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Há quem diga que quando adotamos uma criança maior, perdemos o privilégio de viver os “primeiros momentos” de um serzinho bem especial. Que esses marcos — como as primeiras palavras, os primeiros passos ou o primeiro “mãe” — são exclusivos da maternidade biológica ou da adoção de bebês. Mas digo, com todo o amor e com a vivência de quem está nessa estrada há três anos eu digo: isso não é verdade. Meu filho chegou até nós com quase oito anos. Hoje, tem onze. E, ao contrário do que muitos pensam, a nossa vida é repleta de primeiras vezes . Talvez diferentes daquelas que idealizamos, mas não menos emocionantes. Não ouvi ele me chamar de “mãe” pela primeira vez — na verdade, ele nunca me chamou de mãe, e talvez nunca chame. E tudo bem. Porque o vínculo que construímos vai muito além das palavras. Desde que ele chegou já vivemos muitas primeiras vezes. Lembro-me da primeira vez que fomos ao shopping. Ele experimentou chocolates com frutas — algo tão comum para muitos — mas inédito para e...