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Mostrando postagens com o rótulo vínculo afetivo na adoção

Apagando a História

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De uma coisa eu sempre tive certeza: nunca apagaria a história do meu filho. Não mudaria seu nome, não esconderia sua história e não o encorajaria a sentir raiva de sua família de origem. Mas... Com o processo de adoção finalizado, tivemos que esperar o tempo do nosso filho para tirar um novo RG. Ele não entendia a alteração do seu sobrenome e sentia um desconforto enorme sobre isso. Não comemorou a nova certidão. Não quis ver o documento. Quando ele passou a compreender a modificação, lá fomos nós. Primeira tentativa — um ano após a nova certidão. Sem sucesso, porque o antigo CPF não havia sido cancelado e tivemos que solicitar ao fórum o cancelamento. Segunda tentativa — um ano após a primeira. O RG foi barrado, pois a Fazenda não estava permitindo a vinculação do documento ao novo CPF. Terceira tentativa: sucesso. Mas me deparei com uma situação que eu não esperava. O atendente me disse: “O RG dele ficará retido.” Confesso que me senti estranha. Como se eu estivesse negand...

"Tem dois tipos de maus": o dia em que meu filho me fez rir e refletir

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Outro dia, numa daquelas conversas corriqueiras em família, meu filho soltou uma frase que me fez rir e, ao mesmo tempo, pensar: “Mas ela pode falar mal de você. Tem dois tipos de maus.” Ficamos sem entender direito o que ele quis dizer. Olhei para o meu marido e caímos na risada. Foi aquele tipo de riso gostoso que alivia o dia, aproxima, cura. Mesmo sem decifrar a lógica da fala, ela ficou reverberando em mim — porque tinha ali algo de muito verdadeiro: ele nos observa. Ele sente o que vivemos, mesmo sem entender tudo. Aqui em casa, escrever é meu jeito de sobreviver à bagunça emocional dos dias. Sempre peço para meu marido ler os textos que publico no blog. Ele reluta um pouco (acha que vai ser mencionado de um jeito... digamos, comprometedor — risos). Mas não é isso. Nunca foi. Escrever não é sobre expor, é sobre me ouvir. É o meu exercício de autoterapia. Quando escrevo, coloco para fora o que me atravessa. Ganho clareza, vejo caminhos e entendo melhor o que sinto. E compartil...

Adoção e Emoções Reais: O Relato de Junho de 2022 e o Caminho que Escolhemos Seguir

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Quando a adoção nos confronta com nossos limites Sou mulher, esposa e mãe. Em junho de 2022, escrevi um relato que nasceu da dor, da exaustão e da confusão emocional. Naquele momento, eu acreditava que estava desistindo. Tive medo, senti culpa, me senti sozinha. Mas hoje, quase dois anos depois, posso dizer que não desistimos. Estamos juntos: eu, meu marido e nosso filho. E é sobre esse processo — real, difícil e transformador — que venho falar. O início: alegria, expectativas e um susto inesperado Quando recebemos a ligação com a notícia de que seríamos pais, fomos tomados por uma emoção indescritível e muito medo. Chegou o nosso filho. Um garoto doce, gentil e carinhoso. Mas como em todo processo de adaptação, surgiram desafios. Um episódio de explosão emocional, na primeira semana conosco — uma mordida, fruto de frustração — nos assustou. Até então, achávamos que estávamos preparados. Mas percebemos que a equipe técnica omitiu informações (crises emocionais, um laudo falando sob...