Apagando a História

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De uma coisa eu sempre tive certeza: nunca apagaria a história do meu filho. Não mudaria seu nome, não esconderia sua história e não o encorajaria a sentir raiva de sua família de origem. Mas... Com o processo de adoção finalizado, tivemos que esperar o tempo do nosso filho para tirar um novo RG. Ele não entendia a alteração do seu sobrenome e sentia um desconforto enorme sobre isso. Não comemorou a nova certidão. Não quis ver o documento. Quando ele passou a compreender a modificação, lá fomos nós. Primeira tentativa — um ano após a nova certidão. Sem sucesso, porque o antigo CPF não havia sido cancelado e tivemos que solicitar ao fórum o cancelamento. Segunda tentativa — um ano após a primeira. O RG foi barrado, pois a Fazenda não estava permitindo a vinculação do documento ao novo CPF. Terceira tentativa: sucesso. Mas me deparei com uma situação que eu não esperava. O atendente me disse: “O RG dele ficará retido.” Confesso que me senti estranha. Como se eu estivesse negand...

"Tem dois tipos de maus": o dia em que meu filho me fez rir e refletir

Dois tipos de maus

Outro dia, numa daquelas conversas corriqueiras em família, meu filho soltou uma frase que me fez rir e, ao mesmo tempo, pensar:

“Mas ela pode falar mal de você. Tem dois tipos de maus.”

Ficamos sem entender direito o que ele quis dizer. Olhei para o meu marido e caímos na risada. Foi aquele tipo de riso gostoso que alivia o dia, aproxima, cura. Mesmo sem decifrar a lógica da fala, ela ficou reverberando em mim — porque tinha ali algo de muito verdadeiro: ele nos observa. Ele sente o que vivemos, mesmo sem entender tudo.

Aqui em casa, escrever é meu jeito de sobreviver à bagunça emocional dos dias. Sempre peço para meu marido ler os textos que publico no blog. Ele reluta um pouco (acha que vai ser mencionado de um jeito... digamos, comprometedor — risos). Mas não é isso. Nunca foi. Escrever não é sobre expor, é sobre me ouvir. É o meu exercício de autoterapia.

Quando escrevo, coloco para fora o que me atravessa. Ganho clareza, vejo caminhos e entendo melhor o que sinto. E compartilhar isso com outras mulheres é quase um convite para que a gente se reconheça nas nossas imperfeições, dúvidas e tentativas.

Nossa história como pais não começou fácil. A adoção nos trouxe uma infinidade de sentimentos — amor, sim, mas também medo, insegurança, questionamentos. Foram meses difíceis, de ajustes, de noites silenciosas e olhares cansados. Mas, no meio de tudo isso, havia uma certeza crescendo dentro de mim: a vida era tão sem graça sem ele.

Hoje, mesmo com dias caóticos, agendas apertadas e mal-entendidos, o amor mora nas pequenas coisas. Na frase engraçada de uma criança. No riso compartilhado no fim de um dia difícil. No olhar que diz “estamos juntos”, mesmo que a gente ainda esteja aprendendo a ser pai e mãe.

E se posso deixar uma dica, é essa: encontre o seu jeito de se escutar. Pode ser escrever, bordar, caminhar em silêncio, cuidar de plantas ou ouvir músicas que te tragam de volta pra você. Quando a gente se escuta com carinho, fica mais fácil acolher o outro também.

A maternidade me mostrou que não existe perfeição. Existe tentativa. Existe entrega. Existe amor construído com tempo, paciência e vulnerabilidade.

E, quem sabe, até existam dois tipos de “maus”. Mas os que vêm acompanhados de afeto, riso e escuta... esses a gente transforma em amor.


💬 Se esse texto tocou seu coração, compartilhe com outra mulher que precisa rir, se acolher e lembrar que está tudo bem não saber tudo o tempo todo. Compartilhe, também, com aquela amiga que um filho cheio de frases maravilhosamente confusas.💕

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