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Mostrando postagens com o rótulo traumas infantis; impactos da infância na vida adulta; como superar traumas da infância; infância e saúde emocional; relação entre infância e vida adulta; como romper ciclos familiares

Apagando a História

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De uma coisa eu sempre tive certeza: nunca apagaria a história do meu filho. Não mudaria seu nome, não esconderia sua história e não o encorajaria a sentir raiva de sua família de origem. Mas... Com o processo de adoção finalizado, tivemos que esperar o tempo do nosso filho para tirar um novo RG. Ele não entendia a alteração do seu sobrenome e sentia um desconforto enorme sobre isso. Não comemorou a nova certidão. Não quis ver o documento. Quando ele passou a compreender a modificação, lá fomos nós. Primeira tentativa — um ano após a nova certidão. Sem sucesso, porque o antigo CPF não havia sido cancelado e tivemos que solicitar ao fórum o cancelamento. Segunda tentativa — um ano após a primeira. O RG foi barrado, pois a Fazenda não estava permitindo a vinculação do documento ao novo CPF. Terceira tentativa: sucesso. Mas me deparei com uma situação que eu não esperava. O atendente me disse: “O RG dele ficará retido.” Confesso que me senti estranha. Como se eu estivesse negand...

A Infância Não Fica na Infância

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Nasci em uma tarde bonita de 1982, sob o signo de Capricórnio, carregando em mim a esperança e as expectativas de um futuro que nem meus pais sabiam construir. Não fui desejada e depois planejada, como algumas histórias românticas contam. Fui, ao contrário, a cola que uniu duas pessoas imaturas, ainda presas às próprias dores não tratadas. Acredito que essa é uma realidade comum a muitos de nós. Crescemos em lares onde os adultos carregam as marcas de infâncias negligenciadas, traumas nunca revisitados e padrões herdados que se repetem como um ciclo interminável. Meus pais, como tantos outros, desconheciam o peso que suas próprias histórias teriam sobre mim e meus irmãos. Afinal, não se pode curar aquilo que sequer se reconhece como ferida. Já é dito que "a infância não fica na infância", e essa é uma verdade irrefutável. Crescemos carregando os ecos das palavras que ouvimos, das ausências que sentimos, das inseguranças que nos foram passadas. Nossa forma de amar, de maternar...