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Apagando a História

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De uma coisa eu sempre tive certeza: nunca apagaria a história do meu filho. Não mudaria seu nome, não esconderia sua história e não o encorajaria a sentir raiva de sua família de origem. Mas... Com o processo de adoção finalizado, tivemos que esperar o tempo do nosso filho para tirar um novo RG. Ele não entendia a alteração do seu sobrenome e sentia um desconforto enorme sobre isso. Não comemorou a nova certidão. Não quis ver o documento. Quando ele passou a compreender a modificação, lá fomos nós. Primeira tentativa — um ano após a nova certidão. Sem sucesso, porque o antigo CPF não havia sido cancelado e tivemos que solicitar ao fórum o cancelamento. Segunda tentativa — um ano após a primeira. O RG foi barrado, pois a Fazenda não estava permitindo a vinculação do documento ao novo CPF. Terceira tentativa: sucesso. Mas me deparei com uma situação que eu não esperava. O atendente me disse: “O RG dele ficará retido.” Confesso que me senti estranha. Como se eu estivesse negand...

E quando a gente dá tanto… e recebe tão pouco?

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Me diz, você já se sentiu assim? Como se tudo que você faz nunca fosse o bastante… ou, pior, como se ninguém percebesse o quanto você se doa? Eu me sinto assim. Mais vezes do que gostaria de admitir. E, sempre acabo me sentindo sozinha. Se eu vou pra cozinha, faço questão de caprichar. Escolho com cuidado os ingredientes, penso no que cada um gosta, tempero com amor, porque, pra mim, cuidar é uma forma de amar. Se limpo a casa, não é só pra ficar apresentável. Eu quero ver o branco voltar a ser branco, quero sentir aquele cheirinho de casa limpa, de cuidado, de aconchego. Porque eu não sei fazer de qualquer jeito. Nunca soube. E, ainda assim... tem dias que o peso vem. Vem quando percebo que o café — aquele café que tanto me faz bem — tá acabando… e fico esperando, quase na esperança boba, que alguém perceba e compre. Que alguém se lembre que isso também é amor. Vem quando vejo que, se alguém resolve "ajudar" na faxina, o pó dos móveis fica lá. E eu me pergunto: será qu...

Quando tentamos resolver tudo sozinhas: uma reflexão sobre casamento, maternidade e comunicação

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Desde menina, aprendi a correr atrás dos meus sonhos (que ainda tento concretizar, mas não tenho tido muito sucesso) e resolver as minhas próprias questões. Quando descobria um curso gratuito, eu mesma procurava as informações, preparava a documentação e, no final, só pedia aos meus pais que assinassem a matrícula — porque, sendo menor de idade, minha assinatura não tinha validade. Cresci assim: buscando me virar sozinha, sem querer dar trabalho, sem pedir ajuda. Parecia força, mas no fundo também era medo de não ser atendida. Medo de depender. Quando me casei, levei comigo esse hábito que tenho tentado me desfazer. Ele me tem feito carregar uma carga maior do que deveria. Me tem provocado exaustão e ansiedade. Muitas vezes me tira até as forças para lutar pelo que realmente importa. Sem perceber, tentei abraçar o mundo. Assumia as finanças, queria a casa em ordem, cuidava dos detalhes grandes e pequenos. Eu achava que, para as coisas darem certo, precisava carregar tudo sozinha. Do...