Quando ele me chamou de mãe
Faz quase um mês que não escrevo. E isso me pesa. Já falei aqui outras vezes que esse blog é minha terapia, meu refúgio, meu lugar de cura. Mas, às vezes, até a cura encontra barreiras. E a minha, ultimamente, tem tropeçado em silêncios que não consigo atravessar. O processo de ressignificar a dor exige muito mais do que coragem – exige fôlego. E nem sempre eu tenho.
Ando extremamente desanimada. Um tipo de desânimo que não se resolve com uma boa noite de sono ou um café forte. É um cansaço que esgota a alma, que tira a vontade até de fazer o que antes me salvava. É como se as palavras tivessem se escondido de mim. Já se sentiu assim? Tão desanimada que parece que suas forças foram embora e a energia simplesmente não volta? Eu estou exatamente nesse lugar agora.
Mas resolvi escrever mesmo assim. Não porque passou, mas porque ainda está aqui. E talvez, dividir esse sentimento seja também uma forma de enfrentá-lo. Escrever, mesmo que doendo, me devolve um pouco de mim. Às vezes, a gente não precisa esperar estar bem pra falar. Às vezes, falar faz parte do caminho pra ficar bem.
Eu venho tentando aceitar esse momento como ele é. Sem me culpar tanto. Não estou sendo preguiçosa, fraca ou incapaz. Estou cansada. E tudo bem. Acho que a primeira coisa que a gente precisa fazer diante do desânimo é acolher esse cansaço com gentileza. Parar de se exigir como se fôssemos máquinas. Reconhecer que há dias em que apenas levantar da cama já é uma vitória. Respirar fundo e aceitar que, sim, tem fases difíceis, mas que elas também passam.
Tem dias em que escrever não sai. Mas conversar com uma amiga, tomar um banho mais demorado, ouvir uma música que toca alguma coisa lá dentro... tudo isso já é um começo. Pequenos gestos, pequenos passos. E quando dá, quando sobra um fiapo de energia, escrever. Nem que seja só uma linha. Só um desabafo. Um rabisco de alma.
E tem uma coisa que me ajuda muito: lembrar que não estou sozinha. Esse blog me mostra isso o tempo todo. A cada mensagem que recebo, a cada mulher que diz "eu também", eu percebo que existe força na partilha. A gente não precisa ter todas as respostas, só precisa estar disposta a continuar – mesmo aos tropeços, mesmo devagar.
Se você está aí do outro lado sentindo esse mesmo peso, essa mesma falta de ânimo, quero te dizer que é normal. Que vai passar. Que você não está errada por se sentir assim. E que, mesmo sem saber direito como, a gente segue. Com pausas. Com cansaços. Mas segue.
Hoje, escrever isso já foi uma pequena vitória. E talvez, ler isso também seja a sua.
Com carinho,
Além das Cinzas
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